A Primeira Dor (Franz Kafka)

Um trapezista - sabe-se que essa arte praticada nas alturas da cúpula dos grandes teatros de variedades é uma das mais difíceis ao alcance do homem - havia, a princípio apenas como um esforço em busca do aperfeiçoamento, mais tarde também por um costume tirânico, ordenado sua vida de modo que, enquanto trabalhasse em uma única temporada, pudesse passar dia e noite em cima do trapézio. Todas as suas necessidades, aliás muito pequenas, eram atendidas por empregados que, trabalhando em turnos, observavam lá de baixo e faziam descer e subir, em vasos construídos para esse único fim, tudo o que fosse necessário lá em cima.



