Showing posts tagged Literatura

A Primeira Dor (Franz Kafka)

Um trapezista - sabe-se que essa arte praticada nas alturas da cúpula dos grandes teatros de variedades é uma das mais difíceis ao alcance do homem - havia, a princípio apenas como um esforço em busca do aperfeiçoamento, mais tarde também por um costume tirânico, ordenado sua vida de modo que, enquanto trabalhasse em uma única temporada, pudesse passar dia e noite em cima do trapézio. Todas as suas necessidades, aliás muito pequenas, eram atendidas por empregados que, trabalhando em turnos, observavam lá de baixo e faziam descer e subir, em vasos construídos para esse único fim, tudo o que fosse necessário lá em cima.

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2 05.29.12

Cartas do Yage (trocadas entre Burroughs e Ginsberg)

Finalmente, destampou a gamela e despejou mais ou menos uns trinta gramas de um líquido preto que me passou numa xícara suja de plástico vermelho. O líquido era oleoso e fosforecente. Bebi-o de um gole só. O gosto amargo prévio à náusea. Devolvi a xícara e o curandeiro e seu assistente tomaram um gole.

Fiquei sentado lá, esperando o efeito, e quase imediatamente tive o impulso de dizer: “Não foi suficiente, preciso mais”.

Roy falou-me de um cara que saiu limpo da cadeia e quase morreu no quarto de Roy. “Ele tomou um pico e disse em seguida: - Não ‘foi suficiente’, e caiu duro. Arrastei-o até o corredor e chamei uma ambulância. Ele viveu.”

Em dois minutos, uma onda de tontura me arrebatou e a cabana começou a girar. Era como cheirar éter ou, quando você está muito bêbado, deita e a cama gira.

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2 05.27.12
romyblitz:

Happy Towel Day!

romyblitz:

Happy Towel Day!

5 05.25.12
Happy Towel Day!

Happy Towel Day!

"À noite, quando vou para a cama, ainda me esforço para ter certeza de que minhas pernas estejam debaixo dos cobertores quando as luzes se apagam. Não sou mais criança, mas… não gosto de dormir com uma perna para fora. Porque se uma mão fria sair de sob a cama e agarrar meu tornozelo, sou capaz de gritar. Sim, sou capaz de gritar a ponto de acordar os mortos. Esse tipo de coisa não acontece, é claro, todos nós sabemos disso. (…) A coisa debaixo da minha cama esperando para agarrar meu tornozelo não é real. Sei disso, e também sei que se eu tomar cuidado e ficar sempre com as pernas debaixo da coberta, ela jamais vai conseguir agarrar meu tornozelo."

— Stephen King (via erradaemeia)
4 05.21.12

Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter Thompson)

“Você veio pra ficar?”, perguntei, encarando Chenault.

Ela sorriu. “Não sei. Larguei meu trabalho em Nova York.” Olhou para o céu. “Só quero ser feliz. Sou feliz com Fritz… logo, aqui estou eu.”

Consenti, pensativo. “É, isso parece bem razoável.”

Ela riu. “Não vai durar. Nada dura. Mas por enquanto estou feliz.”

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4 05.20.12
Hunter S. Thompson by Michael Ochs.

Hunter S. Thompson by Michael Ochs.

15 05.19.12

Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter Thompson)

Havia algo de estranho e irreal em toda a atmosfera daquele mundo onde eu acabara indo parar. Era divertido e ao mesmo tempo vagamente depressivo. Ali estava eu, vivendo em um hotel de luxo, correndo por uma cidade semilatina a bordo de um carrinho de brinquedo que parecia uma barata e fazia mais barulho do que um avião de caça, me esgueirando por becos e trepando na praia, catando comida em águas infestadas de tubarões, sendo perseguido por multidões que gritavam em um idioma que não era o meu…

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2 05.19.12

Rum: Diário de um Jornalista Bêbado (Hunter Thompson)

Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo, que estávamos num caminho honesto, e que os melhores dentre nós inevitavelmente chegariam no topo.

Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos numa odisseia sem sentido. Era a tensão entre esses dois polos -um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminente- que me dava forças para seguir adiante.

Paul Kemp, personagem de Hunter Thompson em Rum: Diário de um Jornalista Bêbado, L&PM, Porto Alegre, 2012. p. 16.

1 05.13.12
fuckyeahhistorycrushes:

Albert Camus (1913-1960) was a French-Algerian philosopher starting the movement known as absurdism. With his highly successful works like The Stranger, The Rebel, and The Fall, Camus was awarded the Nobel Prize in Literature in 1957, only three years before his death, making him the shortest lived Nobel winner. Not only was he an incredibly influential and intelligent man, he wasn’t too bad on the eyes either.

fuckyeahhistorycrushes:

Albert Camus (1913-1960) was a French-Algerian philosopher starting the movement known as absurdism. With his highly successful works like The Stranger, The Rebel, and The Fall, Camus was awarded the Nobel Prize in Literature in 1957, only three years before his death, making him the shortest lived Nobel winner. Not only was he an incredibly influential and intelligent man, he wasn’t too bad on the eyes either.

3562 05.08.12
William Burroughs, Paris, 59 by Loomis Dean.

William Burroughs, Paris, 59 by Loomis Dean.

2 05.08.12

Por Pouco (L. F. Veríssimo)

Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam - e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.

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1 05.04.12

"Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira."

— Ferreira Gullar. (via erradaemeia)
539 05.03.12